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Resenha: Dois Irmãos - Milton Hatoum


Dois Irmãos, do autor nacional Milton Hatoum, se passa em Manaus, entre as décadas de 40 e 60, e fala sobre uma família de imigrantes libaneses.

Inicialmente nós não sabemos quem é o narrador da história. Ele começa contando sobre Zana e a sua relação com o seu pai, sobre os costumes árabes e como eles se estabeleceram em Manaus. Depois temos a história de Halim, como ele era apaixonado por Zana e como se tornaram uma família.

Zana e Halim tiveram três filhos, os gêmeos Omar e Yaqub, e a filha Rânia. Entretanto, quando os gêmeos nasceram, o caçula, Omar, ficou muito doente e fraco, necessitando de atenção e cuidados. Por conta disso, Yaqub foi deixado aos cuidados da empregada da casa, Domingas, uma índia que havia sido deixada para ser criada pelo casal quando ainda menina. E Domingas tratou Yaqub como filho. Entretanto, os cuidados de Zana com Omar se estendeu até a fase adulta, e apesar de Zana também gostar muito de Yaqub e ter orgulho do filho, Omar sempre foi tratado com muitas regalias.

Com isso, Omar se tornou um preguiçoso, sem ambição, um pouco malandro, enquanto Yaqub sempre foi mais reservado e mais responsável. Por conta dessa diferença de comportamento e da preferência da mãe por Omar, os dois nunca foram amigos, sempre tiveram uma relação complicada.

Quando criança, os gêmeos tiveram uma briga séria. Os dois eram apaixonados pela vizinha. E Yaqub ficou com uma lembrança eterna daquela briga no rosto. Logo depois, Yaqub foi mandado pelo pai para a Líbia. Sozinho, com treze anos de idade, o garoto foi mandado para longe da família. E ficou por lá cinco anos, até que ele volta um garoto duro, amargo e sofrido por ter tido que aprender a viver e a trabalhar longe da família, em outro país.

Quando Yaqub retorna, volta a estudar, se muda para São Paulo, se torna engenheiro e um homem bem-sucedido. Yaqub quer distância da família e de Omar. Não consegue ver a vida mansa que o irmão leva, sempre com a mãe para ampará-lo. Entretanto, se pensarmos em Omar, como viver longe dessa mãe, que não consegue largar a cria e dar asas ao filho? Omar é livre para sair, aproveitar a vida, viver uma vida boemia. Mas, ai dele cogitar em se prender a alguma mulher. Ninguém é boa o suficiente para Omar, ninguém pode substituir Zana, porque ela não vai deixar.

E assim, o narrador se insere nessa história através do passar dos anos dessa família, com o pai que só queria amar Zana e acabou tendo três filhos que tiram o seu sossego, com Zana que vive para cuidar de Omar, e com os irmãos que não conseguem se relacionar. Mas, o que percebemos é que ele conta sobre tudo isso para falar da sua própria história, de como ele nasceu e viveu como expectador e às vezes até confidente de algumas dessas pessoas. Ele conta sobre os outros para falar sobre si mesmo.


Por se passar em Manaus, o livro tem uma linguagem bem regional, que pode causar um estranhamento inicial para quem não está acostumado com palavras típicas daquela região. E além disso, há também referências árabes, que exigem um pouco de atenção. Mas, logo que você se acostuma com o cenário e com os personagens, a leitura flui facilmente e se torna muito envolvente. Um livro que te leva a pensar na multiplicidade cultural do país, e que certamente é enriquecedor.

Livro excelente, que me faz querer beber mais da fonte, que me faz querer ler outros livros do autor para eu continuar inserida naquele cenário que ele criou. Recomendo muito!

Nota: 5/5 (Excelente)

ISNB: 978-85-359-0833-6
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 200
Ano: 2006

E aí, você já leu? Deixe aqui seu comentário!

Até mais! Fabi

20 Abril 2016
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