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Resenha: O Príncipe dos Canalhas - Loretta Chase


O Príncipe dos Canalhas é o terceiro volume da série Canalhas, de Loretta Chase. Entretanto, é o primeiro livro da série publicado pela Editora Arqueiro. Não há necessidade de os livros serem lidos em ordem.

Sebastian Leslie Guy de Ath Ballister teve uma infância difícil, tendo sido abandonado pela mãe aos 8 anos de idade quando a mesma fugiu de casa para morar com o amante. Sendo filho de um marquês com uma jovem italiana, o garoto herdou as características físicas maternas e nasceu fora dos padrões de beleza. 

Quando menino, era magro com ombros largos, um corpo desproporcional. Moreno com cabelos e olhos bem negros, além do enorme nariz. A sua aparência sempre foi um problema, não agradava nem mesmo aos olhos do próprio pai. Quando a mãe fugiu, foi enviado para o colégio interno, crescendo longe de casa. Foi o terror na escola e fez questão de tornar a vida do pai um pesadelo.

Quando adulto, tornou-se um homem alto e forte. Muito inteligente, aprendeu rápido sobre finanças. Um homem de personalidade marcante, bruto, arrogante e orgulhoso, apelidado de Belzebu. Libertino assumido, preferia pagar prostitutas a se relacionar com mulheres respeitáveis. 

Quando o pai morreu, herdou toda a fortuna e tornou-se o marquês de Dain. Procurando se afastar das lembranças que a casa trazia, foi morar em Paris. Dain e seu grupo de canalhas. Tinha que ser muito rico para conseguir se manter ao seu lado. Arruinava qualquer um que tentasse acompanhá-lo. E entre os seus admiradores estava Bertie Trent. Para estar perto de Dain, Bertie gastou todo o dinheiro da família com jogos, bebidas e mulheres.

Eis que chega em Paris a Srta. Jessica Trent, irmã de Bertie Trent, com a função de resgatar o irmão da má influência de Dain. Uma mulher muito bonita, que havia recebido várias propostas de casamento, mas optou por manter-se solteira. Muito inteligente, teimosa e orgulhosa. Admiradora de arte, acaba se encontrando com Dain em uma loja de antiguidades.  

Apesar de todos os boatos sobre Dain, Jessica não estava preparada para o que viu. O famoso Belzebu não é de todo mal como dizem. Assim como Dain fica intrigado com aquela mulher respeitável, bonita e inteligente que não se deixa envergonhar por pouca coisa. Após Jessica descobrir uma obra de arte raríssima que passou despercebida por Dain, o lorde vai ficar louco para recuperá-la de Jessica, e os dois terão o primeiro embate.


O cenário é muito bem construído, trazendo vários elementos do século XIX, com muita informação reunida em um livro só, o que mostra que a autora conhece bem o tema que se propõe. Entretanto, ela se arriscou muito com a estratégia utilizada. Ora amamos Dain, ora odiamos. 

Dain é um homem de temperamento instável por conta de toda a sua história, com problemas de autoestima, de comunicação e de interpretação. Um momento perfeito pode ser transformado completamente em questão de segundos. Em vários momentos, quando estava tudo bem e Dain começava a se abrir, algo acontecia e ele interpretava tudo errado. O homem se tornava implacável, vingativo e ignorante. E Jessica não ficava para trás. Rebatia no mesmo nível.

O problema é que as discussões entre o casal saiam do estado cômico para se tornarem trágicas. Tudo era elevado a um nível de vingança máxima, para arruinar completamente a reputação do outro. Seria impossível manter o interesse de ambas as partes com as atitudes tomadas por cada um. E mesmo Jessica sendo uma mulher inteligente, segura e orgulhosa, as situações a que ela se prestava a aceitar eram demais para qualquer coração. Eram demais até para o leitor.

Até a metade do livro, por várias vezes eu pensei em abandoná-lo por conta das atitudes de Dain, ignorantes demais. Se eu não tivesse insistido um pouquinho mais, teria perdido a oportunidade de ver a remissão de Dain, de ver a sua transformação, de entender o personagem completamente e todas as suas atitudes, e de passar a ser Jessica e entender as suas carências. Por ter insistido até o fim, o livro ganhou o meu coração e eu fiquei com aquele sentimento de quero mais.  

Com certeza, eu quero ler os próximos volumes da série, mas achei o livro com um tom dramático demais, não enxerguei o toque cômico que os romances históricos costumam ter, apesar de a autora ter se esforçado para isso. Tanto as brigas entre o casal, quanto a própria história de Dain, e os sentimentos de inferioridade dele pela aparência são exagerados. Afinal de contas, Dain era realmente um homem feio, mas bonito aos olhos de Jessica, ou apenas um menino que por não ter recebido amor e carinho na infância cresceu com uma péssima imagem de si mesmo?

Sobre a capa, apesar de bonita, não tem relação nenhuma com os personagens. Jessica Trent é branca com uma pele de porcelana, olhos cinzentos e cabelos bem negros. A mocinha da capa é loira. Como assim?



Nota: 3/5 (Bom)

ISNB: 978-85-8041-399-1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2015

E aí, você já leu? Poste aqui seu comentário!

Até mais! Fabi

01 fevereiro 2016
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